Tem gente que me conhece demais. Sabem quando eu minto. Falam que os meus olhos me entregam. E tem gente que nunca viu os meus olhos. Conhecem-me pela forma de montar as palavras numa frase.
Seguro minhas lágrimas e engulo o choro até a hora de me deitar, mas quando me dou conta as lágrimas escorrem pelo meu rosto pálido e gélido; meus olhos fixos e vazios descrevem como eu me sinto. E depois de tanto chorar, finalmente consigo pegar no sono. Dormir é o melhor anestésico para curar a dor e o melhor remédio pra esquecer os problemas. Acordo no dia seguinte como se nada tivesse acontecido, querendo esquecer por um momento o quanto chorei no dia anterior, mas o dia que me espera insiste em me lembrar de tudo o que eu quero esquecer e a vontade é de voltar a dormir. O único jeito é estampar um sorriso sem cor e fingir que está tudo bem, isso já faz parte da minha rotina; mesmo sem querer, eu já me acostumei. A vida é assim, um imenso ciclo repetitivo e sem graça, fazer o que né […]